A antropóloga e o "mundo beato"

Confira a entrevista da Antropóloga Luitgarde Barros para a Revista Sertão História.


"Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, antropóloga e professora aposentada da UFRJ e UERJ, nascida no sertão de Alagoas, em 22 de dezembro de 1941, é uma das maiores intelectuais do Brasil e, certamente, uma das maiores pesquisadoras do universo social e cultural do sertão nordestino. Nesta entrevista, a professora Luitgarde Barros nos fala sobre sua trajetória de vida, formação acadêmica e intelectual, sua militância político-social em defesa da educação pública e sobre sua paixão pelo “mundo beato”, prioridade de suas pesquisas".



Luitgarde Barros - Foto: Nireu Cavalcanti


Trecho da entrevista:


A senhora é natural de Alagoas, quando e como foi sua decisão de ir morar no Rio de Janeiro e quais as maiores dificuldades de uma mulher, nordestina, para se inserir no mundo acadêmico e intelectual de um dos grandes centros de cultura do país?


LB: Minha vinda para o Rio de Janeiro não decorreu de decisão minha de morar nesta famosa cidade cuja paisagem esplendorosa, principalmente, o Cristo Redentor e a praia de Copacabana, eram mostradas em todos os cinemas das capitais nordestinas, e acessíveis apenas às pessoas mais ricas que frequentavam a capital mais famosa do país. As voltas que o mundo dá, principalmente, as lutas internas pelo poder, associadas às pressões da Guerra Fria nas décadas de 1950/60, e à decisão externa hegemônica de supressão das estratégias nacionalistas de organização de um Brasil autônomo enquanto economia, com a criação da PETROBRÁS e outros processos de industrialização, transformaram em necessidade urgente, urgentíssima, a entrega do país à governabilidade da União Democrática Nacional / UDN, a partir da morte de Getúlio Vargas, projeto concretizado em 1964. Em janeiro de 1961 toma posse do governo de Alagoas o candidato udenista eleito para o cargo por uma vantagem de 120 votos, instalando-se no Estado um processo de eliminação sumária de opositores, isto é, de lideranças políticas ligadas, por diferentes manifestações, ao governo João Goulart.


Confira a entrevista na íntegra em:


http://revistas.urca.br/index.php/SertH/article/view/123